Estudo do mercado de Glamping nos EUA – 2023 (*)

Dizem os especialistas que, em termos econômicos, quando os Estados Unidos espirram, a Europa se resfria. Um dos principais motivos do seu sucesso é, sem dúvida, a medição e a análise dos dados que obtêm para saber onde estão, para onde precisam ir e como fazer isso. Nisso ninguém os supera, e devo dizer que, depois de ter acesso ao estudo realizado pelo CAIRN CONSULTING GROUP sobre o momento e a tendência do mercado de Glamping, confirmo mais uma vez sua liderança. Como disse W. Edwards Deming “sem dados você é apenas mais uma pessoa com uma opinião”, e os norte-americanos fazem dessa frase um dogma.

Como sempre e como manda nosso estilo, aqui na Skybubbles vamos facilitar as coisas para você e elaboramos um resumo com as partes do estudo que, sob o nosso ponto de vista, são mais relevantes.

Vamos começar então com uma radiografia estrutural básica da situação do setor para depois nos aprofundarmos em diferentes aspectos:

“61% dos entrevistados afirmam que obtiveram as licenças antes dos 6 meses de abertura do negócio, e 80% antes do primeiro ano”

O setor do glamping nos Estados Unidos é uma realidade consolidada; prova disso é que 72% das empresas entrevistadas têm mais de 2 anos de existência e 35% têm mais de cinco. Esse é um dado a se levar em conta, já que, uma vez superado o investimento inicial e o famoso salto entre Realidade vs. Excel dos primeiros anos, acerta-se muito mais em previsões, investimentos e tendências, dando a este estudo um verniz de seriedade e praticidade.

Atualmente, o mercado em questão é de varejistas; 74% são proprietários únicos (uma só pessoa), tendo no outro extremo apenas 13% de corporações. Esse dado explica por que 76% têm uma única localização: é mais fácil e mais simples gerenciar apenas uma localização do que várias. Mas atenção, não nos enganemos: quem, ao ler isso, pensa no típico resort de duas cabanas e um Domo administrado e cuidado por um casal aposentado está enganado; o fato de a maioria dos proprietários ter uma única localização não significa que o país esteja repleto de glampings pequenos… Muito pelo contrário! A média de quartos é nada mais, nada menos que 11,3 por negócio; uma única localização, sim, mas não pequena! Predominam os modelos de estrutura tipo bangalô e cabanas (mais de 7 acima da média de 11,3).

“os proprietários planejam crescer em novas localizações ou aumentar o número de quartos”

O mais complicado em qualquer negócio de serviços é acertar o resultado da equação que permite obter um bom nível de rentabilidade garantindo um bom serviço. Isso passa por ter clara a despesa mais custosa: o pessoal. Aqui o estudo nos traz dois dados muito relevantes: por um lado, as empresas entrevistadas têm em média 16 pessoas trabalhando, a grande maioria em” meio período” e 2 em tempo integral, como responsáveis ou gerentes; por outro lado, entrando em termos de lucro, o lucro bruto médio é de $364.000, o que acaba equivalendo a $161.000 líquidos. Esses números estão sendo alcançados com um preço médio de $209/noite, que, dependendo do tipo de estadia e da temporada, varia entre $105 e $300. Vale destacar que 49% dos glampings afirmam estar abertos o ano todo e que a alta temporada vai de abril a setembro.

Depois de dar um zoom na estrutura do negócio, é preciso prestar atenção especial a três temas-chave: início e financiamento, atração e venda, e tendências de investimento para os próximos três anos.

Todo início tem sua complexidade; nos resorts há dois fatores cruciais para poder levantar âncora e começar a faturar: as licenças administrativas e o financiamento. Nesses aspectos, 61% dos entrevistados afirmam que obtiveram as licenças antes dos 6 meses de abertura do negócio, e 80% antes do primeiro ano. Para montar o resort, o valor médio é estimado em $650.000, dos quais 93% dos entrevistados afirmam ter usado tudo ou boa parte de suas economias. Como principal fonte de financiamento, e não poderia ser diferente, aparecem os bancos, com um surpreendente e minúsculo 34%, seguidos de diferentes formas de financiamento, como a busca de sócios ou rodadas de investimento.

Na atração e venda da experiência há um vencedor claro: 98% dos resorts apostam nas redes sociais, no e-mail marketing e nos anúncios digitais, ficando o offline relegado ao patrocínio de eventos, relações públicas e anúncios de rádio e televisão. Nenhum deles ultrapassa 30% dos usuários. 54% dos entrevistados afirmam que suas ações de marketing e vendas são bastante eficazes, e 62% pretendem investir mais em ações de marketing, especialmente digital, no ano que vem. O público-alvo se divide majoritariamente entre casais (55%) e famílias com crianças (32%).

“61% desses novos quartos querem ser criados buscando uma categoria diferente das que já são oferecidas, para se diferenciar e proporcionar uma experiência distinta… Fato que mais uma vez demonstra que chegou o momento das SkyBubbles! “

Por fim, onde vocês acham que pretendem investir nos próximos três anos? Como o desejo de aumento no faturamento anual gira em torno de 30%, para isso os proprietários planejam crescer em novas localizações ou aumentar o número de quartos em uma mesma localização. Seguindo a linha que contamos no início do artigo, a coisa é clara: os proprietários de glamping apostam mais em aumentar o número de quartos do que em novas localizações, na proporção de 9 para 1. Esse dado é óbvio dado o esforço de investimento e tempo necessário para descobrir e colocar em funcionamento um novo resort. O dado interessante que essa pergunta nos revela é que 61% desses novos quartos querem ser criados buscando uma categoria diferente das que já são oferecidas, para se diferenciar e proporcionar uma experiência distinta…Fato que mais uma vez demonstra que chegou o momento das Sky-Bubbles!

Todo bom resumo deve terminar com uma conclusão; como nota positiva do relatório destacamos a maturidade do mercado e, em especial, a rapidez na abertura do negócio, que nos EUA é invejável. Também se destaca a clara tendência marcada pelas diretrizes dos próximos três anos e a aposta firme no crescimento. Como aspecto a melhorar está o papel dos bancos, que financiam poucos projetos em um mercado consolidado. Esse fato costuma ser sintoma de critérios de risco muito rígidos na hora de avaliar a concessão de financiamento, ou de taxas de juros muito elevadas que desestimulam a opção de contratar um crédito.

O mercado americano do Glamping, longe de espirrar, goza de ótima saúde, o que nos permite prever que o europeu também tem um grande futuro pela frente.

(*) Estudo realizado pelo CAIRN CONSULTING GROUP e resumido pela nossa equipe interna.