Encontros na quarta fase
Como está avançando o projeto do primeiro cliente que apostou nas SKB, 7 anos depois? Entrevista com Michael Beare, CEO da Finnlough
Diz o ditado que enquanto uns pensam em fazer algo, outros já estão fazendo e alguns já fizeram. Tivemos a oportunidade de almoçar em Barcelona com Michael Beare, CEO da Finnlough, um resort de luxo localizado no coração de uma floresta perto da cidade de Enniskillen, na Irlanda do Norte. Para se ter uma ideia, fica a quase 2 horas de Belfast e a 3 de Dublin.
Michael foi um dos primeiros a enxergar a oportunidade, já em 2016, de usar as Skybubbles para desenvolver um negócio novo e único em um lugar onde o clima e as horas de sol em algumas estações não jogam a favor na hora de tomar esse tipo de decisão.
Hoje o complexo conta com 20 Skybubbles, um restaurante de alta gastronomia, um spa e uma longa lista de recomendações de hóspedes que não só experimentam como voltam.
Quando você conhece o Michael, percebe que está diante de uma mente proativa e, sobretudo, de um verdadeiro motor de ideias, sempre aberto a ouvir, contribuir e melhorar; para sobreviver no mundo dos negócios desse tipo, arrisco dizer que essas são qualidades indispensáveis não só para manter um negócio, mas para fazê-lo evoluir. Porque é na evolução que está a chave para avançar. A alternativa é parar e ir encolhendo aos poucos.
A primeira pergunta que me vem à cabeça é: por que as Skybubbles?
Intuição. Temos uma floresta linda no coração da Irlanda. Construir era caro e significava alterar sua ordem natural. Descobri as SKB em uma feira em Barcelona e, depois de conversar com eles, decidi que era a solução certa.
E deu certo…
Não foi fácil no início. O clima não ajuda; as horas de sol no verão chegam a ser até excessivas, e no inverno tem o frio. Isso sim, éramos os únicos que oferecíamos algo diferente.
Em que momento a situação virou?
Uma fotógrafa profissional entrou em contato comigo e me ofereceu uma troca: vir viver a experiência de dormir uma noite em nossas SKB em troca de um ensaio fotográfico. Pensei que tinha pouco a perder e talvez muito a ganhar. Ela veio, saiu encantada e fez um ensaio lindo das SKB. Postou no Facebook dela, que tinha muitos seguidores… E o telefone começou a tocar como nunca.
Marketing de influência.
Exatamente, sem procurar, mas foi assim que aconteceu. Poucas semanas depois liguei para o Quim para encomendar mais 6 skybubbles. Tínhamos lista de espera e ficou claro que era hora de apostar de novo.
“Poucas semanas depois liguei para o Quim para encomendar mais 6 SKB, tínhamos lista de espera e ficou claro que era hora de apostar de novo”
E daí para frente; que diagnóstico faz alguém como você, com sua experiência, olhando para trás nesse tipo de negócio?
Eu dividiria em etapas: no início você é único, com uma proposta diferente, e o público que te escolhe não é tão exigente. Vem principalmente viver uma aventura e não presta tanta atenção aos detalhes.
Com o tempo, duas circunstâncias aparecem e precisam ser levadas em conta: o cliente vai ficando cada vez mais exigente e a concorrência não fica parada. Talvez uma coisa esteja ligada à outra. Surgem novas propostas que, embora não sejam a mesma coisa, competem pelo mesmo público, e se você não se esforça para se diferenciar e oferecer experiências novas, é difícil manter margens e não acabar competindo por preço.
“Com o tempo o cliente vai ficando cada vez mais exigente e a concorrência não fica parada”
Ouço você e penso no ciclo de vida de adoção de uma inovação: os inovadores, o early adopter, a maioria inicial, a maioria tardia e os céticos. Pela forma como você explica, vejo vocês na maioria inicial. Você pensa o mesmo?
Provavelmente; depois desses anos e com 20 Skybubbles, nossa prioridade é continuar atraindo o público que vem e continuar melhorando nossas instalações para que vivam a melhor experiência possível.
Quando se chega a esse público, provavelmente é hora de segmentar e fazer propostas para públicos diferentes com tipos de experiência diferentes.
Exatamente, hoje, além de incluir um spa e um restaurante de alto nível com um chef consolidado, já nos direcionamos de forma específica a públicos diferentes, porque conhecemos e sabemos o que cada um mais aprecia. Não é a mesma coisa um casal mais velho que vem aproveitar o ambiente que a natureza selvagem oferece sem abrir mão do máximo conforto das nossas instalações, e casais ou amigos que vêm viver uma aventura, fazer excursões e, em suma, aproveitar o tempo livre. O espaço nos permite diferenciá-los; eles podem conviver sem se atrapalhar, e conseguimos fazer propostas específicas para os dois públicos.
E qual futuro você prevê para as Skybubbles?
O futuro sempre passa pela melhoria contínua; é preciso trabalhar de forma constante para que as SKB sejam mais eficientes. Hoje em dia é um produto que não é intrusivo com o ambiente, e isso é muito bom, mas ainda temos muito a melhorar tecnologicamente para que, aos poucos, por meio de recursos externos, elas se tornem cada vez mais eficientes em termos de consumo de energia. Por outro lado, precisamos pensar em melhorar a oferta em termos de experiência, porque, com cada vez mais concorrentes oferecendo experiências parecidas, como casas na árvore, domos ou casas de vidro, as SKB passam a fazer parte de uma experiência, mas não podem ser única e exclusivamente “a experiência”; é preciso acompanhar com o ambiente e oferecer serviços complementares para satisfazer e surpreender um cliente cada vez mais exigente.
“O futuro das Skybubbles passa pela melhoria contínua, é preciso trabalhar de forma constante para que as SKB sejam mais eficientes”
Muito obrigado, Michael! Um prazer!
Obrigado a você!
